Augusto
Plano Genital (2025)
Direção: Isabela Henriques e Geovanna Silva
Augusto Henrique Guimarães é um espetacular diretor de fotografia e um cineasta imbecil (no sentido literal da palavra).
Interpretei o personagem no curta de comédia "Plano Genital" que tem como objetivo relatar de forma cômica o machismo diário nos bastidores das obras cinematográficas.
Augusto nasceu em 22 de agosto de 1995, em Brasília. Desde pequeno, seus pais são separados, o que lhe fez conviver mais com sua mãe do que com seu pai. Apesar disso, o pai era presente, buscando Augusto regularmente na escola, passando vários finais de semana com o filho e educando o garoto do seu jeito.
Seus pais cobravam muito de Augusto boa performance na escola e nos esportes. Seu pai principalmente se preocupava com muito a prática esportiva de Augusto. Desde pequeno, ele se desenvolveu no futebol e na natação.
Os estudos, no entanto, foram questionados por Augusto conforme o menino crescia. Não que ele os considerava inúteis, mas ele não queria ser visto como o "aluno CDF" da turma. Sempre foi muito sociável, brincalhão e um tanto perturbado na escola, apesar das excelentes notas.
Atraído pelas festas e pelas garotas, Augusto deixou os estudos um pouco de lado para curtir mais a vida e ser "menos chato".
Descobrindo seu Talento
Augusto descobriria seu grande talento durante o 2º Ano do Ensino Médio, quando uma amiga a qual ele estava afim, participava de um projeto cinematográfico independente. Querendo conquistar ela, Augusto se aproximou do projeto e se ofereceu a trabalhar como diretor de fotografia, se interessando pela posição do fotógrafo.
O projeto deu certo, não apenas sendo elogiado por professores da matéria como também para Augusto conseguir um encontro com a Laura. Os dois firmaram um namoro por alguns meses, mas acabaram terminando. O motivo? Digamos que Augusto considerou Laura "fresca demais" em uma situação...
Pelo menos, Augusto parecia ter encontrado seu lugar no mundo. Com a direção de fotografia sendo um dos pontos elogiados, ele logo se interessou pela área do Cinema, acreditando que sua posição como Diretor de Fotografia poderia lhe trazer bastante dinheiro fazendo diversos projetos cinematográficos, publicitários ou de mídias digitais.
Faculdade e Sua "Luz Vermelha"
Augusto cursou Cinema e Mídias Digitais na faculdade, sempre sendo o Diretor de Fotografia dos projetos integradores. Logo no trabalho final do primeiro semestre, ele descobriria um novo talento que levaria para sua carreira: a Luz Vermelha...
No curta-metragem "Red Co.", um filme de comédias sobre alienígenas tentando se comportarem como humanos, uma cena precisava de uma iluminação avermelhada, considerada um desafio por seus comprimentos de onda maiores. As câmeras digitais muitas vezes tem dificuldade com a luz vermelha para controlar saturação e captura de todos os detalhes.
Augusto, com muita disposição e desejando fazer a melhor Luz Vermelha que podia, trabalhou intensamente na iluminação da cena, algo que arrancou elogios dos professores avaliadores, sabendo dos desafios da fotografia com a cor. Com o ego inflamado, a Luz Vermelha seria a assinatura artística de Augusto.
Conforme avançava no curso, Augusto passou a se interessar por filmes mais modernos e densos, que se afastavam das técnicas clássicas de roteiro. Seu interesse ampliado pelos diferentes tipos de cinema o levou a frequentar festivais e fazer networking com inúmeros cineastas.
Ainda na faculdade, Augusto teve a chance de estagiar em um longa-metragem, onde, mais uma vez, pôde fazer sua iluminação vermelha. O filme estreou meses depois e foi um sucesso, garantindo a Augusto uma vaga em uma produtora de São Paulo.
Enfrentando polêmicas
Já formado e trabalhando na produtora em São Paulo, Augusto passou a receber convites para diferentes projetos, desde publicidades até filmes.
Em uma publicidade, Augusto teve a oportunidade de tirar fotos de uma modelo extremamente famosa (e gata, segundo ele). Ao elogiar de uma maneira nem um pouco sutil enquanto fazia o ensaio fotográfico da artista, o humor no estúdio mudou. Nas redes sociais, a modelo denunciou que a equipe técnica havia a deixado desconfortável durante as fotos.
Apesar de não ter seu nome divulgado pela modelo, foi a primeira polêmica que ele enfrentou. Os anos passaram e aquela história já estava sendo esquecida por ele e pela equipe da produtora.
Augusto passou a pegar pesado na academia, querendo construir um corpo que atraísse qualquer mulher. Paralelamente, frequentava bares e baladas, com noites bem intímas com outras mulheres.
Aos 26 anos, o Diretor de Fotografia principal da produtora havia saído para fazer um mestrado, permitindo que Augusto assumisse o cargo principal e tendo total controle desta área em todos os projetos. Isso permitiu que ele viajasse para diferentes países atentendo mostras e festivais de cinema.
Mas toda essa vida boa iria acabar aos 28 anos. Foi quando Augusto deu em cima da atriz principal no longa que trabalhava. E ela ainda deu corda para o fotógrafo, permitindo que ele se aproximasse cada vez mais até resultar em uma noite beeeem intensa...
Mas na manhã seguinte, a atriz denunciou Augusto, usando marcas das noites passadas como supostas provas da agressão. Augusto foi preso preventinamente e precisou aguardar uma investigação para descobrirem o que havia acontecido.
Ele eventualmente foi inocentado, mas seu nome já estava sujo no mercado cinematográfico. O jovem foi despedido da produtora e precisou voltar à Brasília, aceitando o cargo de Diretor de Fotografia em um estúdio pequeno.
Apesar de toda a polêmica envolvendo seu nome, Augusto se manteve firme de cabeça erguida e enfrentou quaisquer acusações. Mas depois de tudo que ocorreu com aquela atriz, se já tratava as mulheres de uma forma ruim, agora seria pior.
Aos 30 anos, Augusto é escalado como Diretor de Fotografia de um projeto de curta-metragem. A equipe... digamos que não fazia bem o tipo de Augusto. Ele "tolera" o assistente que considera "boiola" por ser o único homem em sua equipe e mal esperava o caos que seria com a assistente de fotografia, Coraline.

Sobre a criação do personagem:
Das mesmas diretoras de "Procedimento Padrão", Plano Genital tinha como objetivo relatar de forma cômica situações de machismo que ocorrem nos bastidores do cinema brasileiro.
Pensando nesse objetivo do filme e com o tom de comédia, precisei me atentar a interpretar Augusto de uma maneira passivo-agressiva e que gerasse raiva no público ao mesmo tempo que a cena pudesse ser engraçada.
Inspiradas pelo tom de comédia de "The Boys", Plano Genital tinha cenas e falas absurdas. Eu mesmo ouvia até demais que The Boys era a minha cara, mas nunca tinha sentado para assistir. Ao ver o primeiro episódio, viciei na série e entendi porque me recomendavam tanto... É, ela realmente é minha cara.
E a comédia de The Boys é muito garantida pelo ritmo dos personagens e forma um tanto "normal" de tratar assuntos absurdos.
Diferente de Barone, o Augusto precisava também gerar comédia. Com a ajuda da minha mestra Luciana Martuchelli, tive primeiro que defender muito bem o ponto de vista do personagem para justificar suas falas e então cuidar do ritmo de comédia depois.
As falas de Augusto no filme são extremamente agressivas, mas faladas de maneira muito natural. Com tantas palavras fortes, me atentei a criar uma relação de pai e filho importante na infância dele, que colocasse Augusto em uma receita específica de masculinidade.
Ao mesmo tempo, a distância do pai e maior convivência com a mãe fez Augusto ficar um tanto carente e dar mais importância às suas amizades com homens, quase buscando um afeto masculino que sentiu falta na infância. Isso somado ao fato de querer orgulhar o pai com comportamentos mais ""masculinos"" foi perfeito para justificar algumas de suas características.
Outras falas de Augusto sobre comportamentos generalizados de mulheres me fez escrever os momentos que ele se sentiu injustiçado ou atacado de forma gratuita por mulheres (quando na verdade ele foi um verdadeiro babaca).
O arco inclusive da atriz o denunciando por agressão sexual quando ela mesmo teve uma noite de prazer e queria apenas dinheiro, foi uma forma de justificar, através de uma generalização pobre, talvez a fala mais absurda do filme. Nos ensaios com Luciana, era até difícil falar aquelas palavras de tão terríveis que eram...
E sobre a Luz Vermelha? O roteiro especificava até demais a montagem de uma iluminação avermelhada no set, que inclusive resultaria em uma discussão entre ele e o diretor. E já que ele defendia tanto a Luz Vermelha... por que não fazer isso sua assinatura artística?
Por mais aleatório que tenha sido na Linha do Tempo dele, foi uma forma bem bacana e divertida de justificar seu egocentrismo sobre a Luz Vermelha, o que até facilitou depois na comédia. Cheguei a estudar os aspectos físicos da Luz Vermelha:
Frequência: 400 - 480Hz
Comprimento de Onda: 620 - 750nm
Energia por fóton: 2.0 - 1.65V
Você sabia inclusive que a luz vermelha estimula a produção de colágeno? (Falei isso no set e muita gente aproveitou para tomar um banho de luz vermelha).
Além dos desafios técnicos no cinema das câmeras nem sempre captarem bem a iluminação por sua frequência. Dessa forma, elas podem deixar a iluminação muito saturada ou sem foco.
E para finalizar, como não tinha muita experiência na Direção de Fotografia, fui um dos primeiros membros da equipe a chegar no set (com permissão concedida da equipe, claro), onde tive um rápido laboratório para montar o set e a iluminação junto com a equipe de fotografia, que me explicavam sobre cada equipamento.
Apesar da babaquice sem fim de Augusto, é um personagem que simbolizou um desafio bem interessante na minha carreira, e foi maravilhoso, mais uma vez, sair do set coberto de sangue falso.