Barone
Procedimento Padrão (2023)
Direção: Isabela Henriques e Geovanna Silva
Carlos Barone é um jovem policial militar, parceiro da Major Júlia, no curta-metragem "Procedimento Padrão", dirigido por Isabela e Geovana.
Barone nasceu em Brasília no ano de 1998, de uma família convervadora com tradições fundamentalistas e valores fortemente influenciados pela religião católica. Seu pai, Felipe Barone, era engenheiro civil, enquanto sua mãe, Flávia, trabalhava como enfermeira.
Ainda pequeno, Barone sonhava em se tornar um policial para combater os criminosos, tendo como alguns ídolos o super-herói Batman, admirando o tom de investigação e sombrio das HQs ambientadas em Gotham City; e o Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, o qual acreditava ser o modelo-espelho de construção da masculinidade.
Ainda quando era muito pequeno, aos 5 anos, logo após uma mudança para uma nova casa na área rural, Barone adquiriu um trauma com aranhas. No novo apartamento, enquanto dormia, uma aranha de grande porte subiu em seu corpo e quase entrou em sua boca. Após este episódio, Barone desenvolveu uma aracnofobia, ficando tenso em ambientes propícios a estes animais.
Por conta da fobia e do desconforto na chácara, a família rapidamente se mudou para um apartamento no Plano Piloto. Com a forte influência do catolicismo, Barone e seus pais atendiam frequentemente às missas, e adotavam uma forma de viver muito conservadora.
Essas experiências combinadas à "educação" que recebeu de seu pai e à forma que sua mãe se comportava em casa, levaram Barone a sempre acreditar no papel superior do homem sobre as mulheres.
Um novo trauma e adolescência
Barone sempre teve uma relação forte com seu tio paterno Manuel. Em encontros de família, o tio era brincalhão e entrava no mundo de faz de conta que Barone criava. Era uma relação extremamente afetiva e de muita confiança, talvez até mais do que com seus próprios pais.
Mas aos seus 12 anos, Barone recebe a notícia que marcaria sua vida eternamente. Seu tio havia sido assassinado por um grupo de criminosos em uma região isolada do Distrito Federal.
A família buscou providências da polícia, mas não obteve êxito. Quem estava à frente da investigação do crime era uma policial, afirmando não ter localizado os suspeitos mesmo depois de tantos dias. Uma fúria cresceu em Barone somando aos seus pensamentos mais extremistas, o que levou o garoto a desprezar ainda mais mulheres em cargos superiores.
Durante o Ensino Médio, ele foi atraído por festas, baladas, sexo e curtições dos adolescentes. Começou a namorar com 14 anos, mas a garota terminou a relação um ano depois por considerá-lo machista demais.
Também obteve problemas de notas durante o primeiro e segundo ano do Ensino Médio, principalmente em matérias das Ciências Sociais. Em exercícios de debates, Barone também era duramente criticado por parte da turma ao expor suas ideias conservadoras.
Ele terminou o Ensino Média e foi estudar Direito em uma universidade privada.
Início da carreira e seu terrível destino
Depois de muito esforço, Barone conseguiu passar no concurso da PMDF, entrando na academia e recebendo por fim o seu tão sonhado treinamento intensivo militar.
Ele se destacou nas aulas recebendo admiração dos treinadores. Mas assim que entra na organização, o jovem é colocado como assistente da Major Júlia, uma policial de respeito e com uma coleção de medalhas e admiração pela PM.
Barone, no entanto, não via nada de bom nela. Logo nos primeiros dias, fica desprezando a mulher constantemente e desobedecendo suas regras.
Quando a Central recebe uma denúncia de um crime em uma casa isolada, Barone e Júlia seguem para o local. Antes de entrar na residência, ele insulta Júlia e toma o comando da patrulha. Mal sabiam eles o horror que aquela casa assombrada guardava...
Sobre a criação do personagem:
Barone foi um dos primeiros personagens bem distantes de mim que interpretei profissionalmente. A produção envolvia muitos membros que trabalharam em "Distrito 21", portanto o set ocorreu muito bem e o ritmo de trabalho já era conhecido por mim e pelas diretoras.
Barone é uma grande crítica ao patriarcado e sua situação no filme é uma consequência de seu comportamento. Mas como Ator, precisava defender ele e justificar suas ações, algo que primeiramente foi um pouco complicado, mas acabou sendo um desafio muito bacana.
Precisei ocultar uma boa parte da Linha do Tempo por conta do espaço aqui, para não dar spoilers do filme e por alguns pontos serem bem íntimos para ele. Mas assim que li no roteiro suas reações à Major Júlia, pensei na forma que ele havia sido criado. Então decidi estabelecer uma desenvoltura influenciada pela religião e conservadorismo.
Mas apenas isso talvez não seria suficiente para as falas saírem com o desprezo que ele sentia pela personagem. Foi então que pensei "e se uma única mulher tivesse o ferido profundamente no passado?". E assim escrevi a parte sobre a morte do tio, detalhando bem a relação deles durante a infância de Barone.
A parte da aracnofobia foi uma forma de justificar sua tensão e desconforto ao entrar na casa. Sem dar muito spoiler, quando ele entra na residência, o local está completamente abandonado, com mofo e várias teias de aranha. No roteiro, havia algumas falas e reações do personagem que também precisavam ser justificadas.
Então procurei desenvolver uma fobia para ele, que me atingiu bastante no momento da gravação. Dessa forma, foi espontânea as reações dele entrando na casa assombrada e realizando uma ação pela tensão que sentia no hall.
Tudo isso foi somado aos laboratórios que tinha feito para interpretar policial antes mesmo de Barone. Recuperei a experiência e combinei a todo o trabalho técnico com a Linha do Tempo durante os ensaios.
Deixo aqui meus agradecimentos às diretoras Isabela Henriques e Geovanna Silva pela confiança e trabalho. Também agradeço à roteirista Eliana Pena, também policial que nos ajudou na fisicalidade durante os ensaios. E claro, à atriz Aline Araújo, intérprete da Major Júlia, pela parceria.
