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Kaleo

Distrito 21 (2023-2025)
Direção: Pedro Avellar

Kaleo é um jovem residente do Distrito 21, um território um tanto hostil e perigoso para sua personalidade mais viva. No ano de 2250, junto a seu interesse amoroso, Beatrice, e fiel amigo Hector, Kaleo tenta invadir o sistema de segurança do Distrito 21 para trazer humanidade à apática população.

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Kaleo nasceu no ano de 2225, mas não sabemos sequer o dia e o mês. E mesmo que soubéssemos, não teria feito muita diferença para ele, já que o jovem nem conhecia o conceito de "festa de aniversário".

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Ele cresceu em um ambiente rígido e sem humanidade. As pessoas ao seu redor não manifestavam emoções. Tudo era muito robotizado e automático demais. Menos ele.

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Por algum motivo misterioso, Kaleo possuia uma energia e imaginação única. Ele sempre estampava um sorriso, um bico, um olhar caído, uma alegria, um medo, uma paixão... Assim ele era quando criança. Porém, seus responsáveis, professores, autoridades e coleguinhas sempre cobravam a neutralidade. Sendo sempre considerado o "estranho", a criança desenvolveu uma timidez extrema.

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Com o sentimento terrível de não se sentir pertencido à sociedade, Kaleo cresceu sem amigos, quase que isolado do mundo, querendo toda hora fugir da realidade que tanto o fazia chorar sozinho no quarto. Mas dentro de sua mente, existia um universo inteiro com todas as cores.

Descobrindo a Arte

Os anos passavam e todo dia era sempre a mesma coisa. A mesma inquietude mental contrastando com a frieza do Distrito 21. Até que um dia, já pré-adolescente, durante um passeio a uma biblioteca, Kaleo encontra um livro empoeirado atrás de uma estante.

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Totalmente diferente dos livros de programação e segurança que ele e a sociedade costumava ler, aquele era uma história de um romance. Ele leva o livro escondido para casa e consome a história em poucas horas, ficando obcecado pela narrativa e pelas imagens que foram se formando em sua mente através das palavras do papel.

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Eventualmente, seus responsáveis descobrem a existência do livro e jogam fora. Ao ver aquele universo inteiro se resumindo à cinzas, parecia que Kaleo tinha perdido um órgão vital. Mas pelo menos, as personagens daquela história ficariam na sua mente para sempre.

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Nos próximos anos, o menino escreveu poesias e contos, sempre se certificando que ninguém jamais veria. Ele parecia aceitar cada vez mais que a vida se resumia àquela monotonia.

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Era até cansativo ver todo dia as propagandas do Distrito 21, mostrando os residentes "em paz". Mas com tantas broncas e traumas nas costas, ele se recusava a levantar sua voz e questionar a razão de toda aquela apatia.

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Isso mudaria em 2250, aos seus 25 anos, quando o jovem presencia uma cena terrivelmente absurda e um tanto dantesca. Tomado por uma fúria que nunca havia sentido antes, ele toma coragem para gritar e protestar contra uma ação pública de Valdir, o líder do Distrito 21.

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Kaleo é perseguido pelos seguranças e, felizmente, é "capturado" por Hector. Pensava que o homem seria inimigo pela forma que o levou até um lugar seguro, mas na verdade Hector estava o salvando das mãos de Valdir. Assim como Kaleo, Hector demonstrava emoções e humanidade. Ele era mais um "esquisito" no meio daquela multidão de cara fechada.

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Escondidos no Galpão de Memórias, Hector revela a Kaleo a razão da população do Distrito 21 ser tão apática. Anos atrás, por conta de tanta vaidade, empresas farmacêuticas investiram pesado em remédios e tratamentos para evitar o sofrimento. Até um dia em que foram instituidas as intervenções genéticas para retirar os sentimentos das pessoas e transformar a população em um grande grupo pacífico.

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Para ver como era o mundo antes, Hector tinha posse de uma máquina do tempo, permitindo que Kaleo viajasse para o ano 2050.

2050 e a Invasão ao Sistema de Segurança do Distrito 21

No ano 2050, Kaleo fica entusiasmado ao perceber que todos eram como ele. Bem, a maioria. Alguns sem educação, que ainda assim impressionavam Kaleo por suas emoções intensas.

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Pela primeira vez, ele podia experimentar e ver um leque de cores que jamais teria visto em sua vida. E foi justamente indo atrás de, finalmente, trocar aquele uniforme patético do Distrito 21 que Kaleo conheceria Beatrice.

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Ao comprar uma linda camisa laranja, a qual a cor hipnotizou Kaleo assim que ele bateu os olhos, Beatrice estava presente na loja e se encantou com o estranho entusiasmo e felicidade do rapaz. Uma pequena conversa resultou em um passeio pela cidade para Kaleo conhecer o território. O passeio levou a um encontro. E o encontro levou a uma grande paixão, fazendo o jovem lembrar do romance que leu quando era pré-adolescente.

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Inclusive, naquele ano, milhares de romances estavam disponíveis nas bibliotecas. Parecia ser a época perfeita para viver, mas Kaleo não conseguia parar de pensar na liberdade que foi tirada de seu tempo.

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Em uma conversa um tanto maluca com Beatrice, Kaleo consegue convencer a amada de viajar com ele até o ano de 2250, para o Galpão de Memórias, com um plano corajoso de invadir o sistema de segurança do Distrito 21 e iniciar o processo de humanização das pessoas.

Sobre a criação do personagem:

Estava muito nervoso para interpretar Kaleo. Primeiramente por ficar impressionado com a qualidade técnica da equipe de cinema. E também porque seria o primeiro personagem que interpretaria com os ensinamentos que tive no Conservatório Internacional das Artes.

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O que mais me chamou atenção em Kaleo foi a semelhança que compartilhávamos. Assim como ele, cresci em ambientes que era considerado "o estranho". Tinha o desejo de pertencer a um grupo, mas na realidade não pertencia.

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E algo mais poderoso ainda era sua solitude, resultado do contraste entre sua inquietude mental e a neutralidade do mundo. Da mesma forma, tenho um universo inteiro, cheio de cores vivas e personagens na minha mente, o que também me gera uma certa "inquietude mental". Acredito que o próprio teatro ajudou a fortalecer, e muito, esse universo paralelo.

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Mas quando abria os olhos e via como o mundo era, aquilo parecia um baque. Foi um personagem que me conectei instantaneamente.

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Não querendo puxar memórias emotivas, busquei me diferenciar dele, descrevendo detalhadamente sua Linha do Tempo com lembranças que ele poderia ter para justificar suas ações e falas do roteiro.

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O que mais usei com ele, desde o casting até as gravações, foi a Técnica Chekhov, acessando diversas vezes o Lugar Sagrado e conversando com Kaleo para dar vida a ele da melhor maneira que eu podia. Me conectei tanto que foi até triste o fim de set, perceber que aquela aproximação com ele acabaria nos próximos segundos.

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Pelo seu figurino marcante, também quis justificar cada peça do traje na Linha do Tempo, o que me ajudou bastante a me sentir presente no personagem. Também usei um pouco de Animalização com Kaleo, não tanto como foi com Karlo por exemplo, personagem criado especialmente para treinar esta e mais técnicas. Mas o Coala foi uma ótima forma de imersão em Kaleo quando precisava.

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Certamente, Kaleo é um personagem que guardo com um imenso carinho e gratidão.

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